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Curso de Design Thinking [Impressões + Experiências]
Depoimentos dos Participantes do Curso de Design Thinking, realizado em Dezembro/2009.
Novas Tecnologias e Redes Sociais: Oportunidade para Inovação e Inclusão
As vendas on-line atingiram R$ 4,8 bilhões no primeiro semestre de 2009, um aumento de 27% em relação a 2008, e espera-se que, ao final deste mês de dezembro, esse total chegue a R$ 10,5 bilhões. Esses números mostram que o e-commerce não para de crescer e conquistar a confiança dos consumidores virtuais.
Essas vendas são impulsionadas principalmente pela chamada “geração Y”, formada por jovens entre 20 e 30 anos, que cresceram navegando na internet e familiarizados com diversas tecnologias. Vivem conectados e são aptos a utilizar várias plataformas. Mas são consumidores conservadores: usam o cartão de crédito com parcimônia e geralmente fazem compras de valores baixos. Essa geração é, sobretudo, a primeira a incorporar as redes sociais como forma de interação e contato.

Essas redes sociais, que já fazem parte da rotina de 45% das pessoas, são utilizadas por 72% dos que têm entre 18 e 24 anos. Para a geração posterior que está chegando, esse peso tende a ser ainda maior. Entre os brasileiros de 10 a 17 anos, 29% preferem falar com amigos, família ou colegas por meio da internet do que pessoalmente. Para todas essas pessoas, sempre ávidas pelo novo, as novidades estão no Twitter, YouTube, Facebook, MySpace, entre outras redes sociais, através das quais se comunicam e se informam.
Muitas empresas já descobriram este filão e utilizam a interatividade em seus websites para se comunicar com os consumidores. O My Starbucks Ideas é um projeto interativo da Starbucks que pede a ajuda dos clientes para definir o futuro da empresa. Através do site, qualquer um pode sugerir ideias, votar nas melhores e discutir com outros consumidores as melhores propostas. As ideias são organizadas em categorias, ranqueadas através de votação popular e acumulam pontos. A empresa colocou uma equipe, que inclui o vice-presidente de marketing, para se dedicar a análise das ideias, comentar e responder individualmente cada proposta no blog do projeto.

Mas outras empresas foram além no uso da tecnologia. A padaria britânica AlbionCafé começou a usar um aparelho conhecido como Baker Tweet, que avisa em tempo real – e pelo Twitter – assim que sai um pão ou um bolo, na hora. Já o tênis com Nike Plus registra dados sobre a corrida no Ipod e, ao descarregá-los no site, o usuário acompanha e compara seu desempenho. Essa cultura de convergência está influenciando também o que lemos e assistimos na TV. A série Lost, por exemplo, se desdobrou em livros, revistas, jogos para internet, videogames como PlayStation 3 e episódios extras só para celular. No site do programa, é possível ouvir podcast com elenco e ler a biografia de cada personagem. Os internautas também dão palpites sobre a história e estão ajudando os autores a encontrar uma saída para um final convincente para o complicado enredo da série.
Nanopagamento
O uso das novas tecnologias e das redes sociais pode ser uma oportunidade também para negócios na base da pirâmide. Para C.K. Prahalad e Stuart L. Hart – que, em 2002, escreveram o histórico artigo Fortuna na Base da Pirâmide -, os pobres representam uma nova oportunidade de serviços e, para fazer negócios com esses 4 bilhões de pessoas do mundo (que representam dois terços da população mundial, com receita abaixo de US$ 1.500 ao ano), serão necessárias inovações radicais em tecnologia e no modelo de negócios das empresas.
Inspiradas nas ideias do economista de Bangladesh Muhammad Yunus, criador do microcrédito, uma dessas inovações é a empresa social: aquela que obtém rendimentos com seus produtos e serviços, mas não paga dividendos aos acionistas e não visa o maior lucro possível, como fazem as empresas. Dedica-se à criação de produtos e serviços que beneficiem a população, combatendo problemas sociais como a pobreza e a poluição ou melhorando o sistema de saúde e a educação.
Outra frente de oportunidades (que também pode ser complementar às empresas sociais) são os micro ou nanopagamentos, que significam cobrar muito barato, mas de muita gente, como por exemplo cobrar R$ 0,10 por um serviço ou bem na web. Uma pesquisa do Ibope mostrou que o total de brasileiros com mais de 16 anos com acesso à internet em qualquer ambiente (casa, trabalho, escolas, universidades e outros locais) era de 62,3 milhões em 2008, o que mostra o potencial desse mercado, que avança em todas as classes sociais.

Na Ásia, os nanopagamentos vêm gerando grandes lucros em redes sociais há anos. A chinesa Tencent amealhou, em 2007, uma receita de US$ 523 milhões (quatro vezes a mais que o Facebook), num país em que o salário médio é muito menor do que nos EUA. Na China, as crianças podem adicionar créditos em suas contas do Tencent via celular ou comprando em lojas reais. Sistemas similares existem para usuários do japonês Mixi e do coreano Cyworld.
Para que esse modelo de sucesso seja repetido nas redes sociais, é necessário um meio de pagamento eletrônico estável, confiável e fácil de usar. E parece que um sistema assim não está longe. Segundo o Nieman Journalism Lab (www.niemanlab.org), projeto e blog da Universidade de Harvard, a Google está desenvolvendo uma nova plataforma própria de transação de pequenos valores monetários, que estará disponível no próximo ano. O sistema deverá ser uma extensão do Google Checkout para o futuro. A ideia é viabilizar pagamentos de centavos até vários dólares ao agregar compras entre e comerciantes.
Moysés Simantob e Maura Campanili
Economia solidária e inovação são caminhos para o Brasil, diz Sachs
O planejamento de longo prazo, focado em três grandes desafios – consolidação e expansão dos serviços sociais, ampliação da economia solidária e transição para uma economia de baixo carbono – é o grande desafio para o Brasil nesta época pós-crise, na visão do economista e sociólogo Ignacy Sachs. Como superar esses desafios foi o tema da conferência que proferiu no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), dia 25 de novembro.

Segundo o professor emérito da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, França, os serviços sociais que precisam ser desenvolvidos no País incluem, além de educação, saúde e saneamento, os serviços ambientais e a habitação popular, já que o déficit brasileiro nesse setor é da ordem de 8 milhões de moradias. Em relação à economia solidária, Sachs afirma que devem ser incentivadas associações onde o excedente é apropriado por decisões coletivas, como as cooperativas, associações e a sociedade organizada. “O Brasil já tem um mecanismo para isso que são as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips)”, disse.
Em relação à transição para uma economia de baixo carbono, o economista acredita que o Brasil tem uma situação privilegiada, por ter uma matriz energética melhor do que a maior parte do mundo. “O País conta com hidrelétricas, lidera a produção de etanol de cana e tem condições de consertar seu projeto de biodiesel. Além disso, tem tudo para deixar de desmatar as matas nativas e produzir muitas árvores para todo tipo de uso, inclusive o energético”, avalia.

O maior cuidado a ser tomado, na opinião de Sachs, é em relação à competição entre segurança alimentar e segurança energética. Como saída, defende a implantação de sistemas integrados de aproveitamento da biomassa, para alimento e energia, adaptados aos diferentes biomas. Como exemplo, cita a integração entre pecuária e oleaginosas, estas últimas voltadas tanto para a produção de energia como para a alimentação do gado.
Os sistemas integrados serão ainda mais produtivos na medida em que se desenvolvam a segunda geração de bioenergia, baseada no etanol de celulose, no qual todos os resíduos da produção florestal podem ser aproveitados, e a terceira geração, baseada em algas e microalgas. Com um grande litoral, lagoas, lagos de hidrelétricas, a Amazônia e o Pantanal, o País tem tudo para desenvolver projetos que envolvam piscicultura e produção de algas e microalgas.
Segundo Sachs, porém, o país precisa ir além, investindo em tecnologia e inovação para o aproveitamento múltiplo das biomassas, para alimento, adubo, ração animal, material de construção, fármacos e bioprodutos em geral. “É preciso investir no trinômio biodiversidade, biomassa e biotecnologia, esta última voltada para aumentar a produção e identificar novos produtos. Este é um modelo muito menos dependente da energia fóssil”, avalia.
Saiba mais: www.ipam.org.br/revista
Maura Campanili